Como cheguei aqui
Comecei a escrever sobre sustentabilidade quase por acidente. Tinha acabado de voltar para Portugal, depois de algumas aventuras profissionais entre a Alemanha e a Finlândia, e estava começando minha jornada como freelancer na área da inovação. A pandemia me trouxe, inesperadamente, algum tempo livre, e com ele duas certezas: eu precisava encontrar projetos que me sustentassem, mas também queria fazer um trabalho com impacto no mundo.
Havia anos que eu sentia um desconforto silencioso diante de tudo o que estava vendo: relatórios, números, urgência, mas pouca tradução para a vida real. E, além disso, de que adiantava ler, aprender e procurar soluções se ficasse tudo só comigo?
Foi dessa vontade de compartilhar que nasceram os primeiros artigos. Quase como um experimento comigo mesma: o que mudaria se eu levasse a sério as pequenas escolhas? E se eu substituísse uma coisa por mês? E se eu aceitasse que ia falhar, mudar de ideia e até voltar atrás?
O que mudou para mim não foi começar a saber tudo. Foi aceitar que ninguém sabe.
Percebi que esses temas são complexos e que, muitas vezes, até para mim pode ser difícil compreender toda a dimensão técnica. Mas percebi também que compartilhar o que aprendemos pode incentivar o pensamento e, sobretudo, a ação coletiva. E é isso que torna este espaço relevante.
Aprendi rapidamente três coisas. A primeira, que boa parte da comunicação sobre sustentabilidade é feita num tom moralista que afasta mais do que aproxima. A segunda, que dizer “vai com calma” e “você pode falhar” é, curiosamente, uma das formas mais eficazes de fazer alguém continuar. A terceira, que isto não é apenas sobre o meio ambiente: é sobre a forma como queremos viver e o futuro que queremos construir.
Hoje, vivo entre dois mundos: o da consultoria e o da criação de conteúdo. Gosto de pensar que eles se complementam e que ambos podem gerar impacto positivo. Num, procuro ajudar a pensar sistemas e cidades; no outro, colaboro com marcas e organizações que querem fazer melhor.
Este espaço nasce, por isso, dessa interseção e busca ser, acima de tudo, um lugar de compartilhamento. Aqui, no Instagram, no TikTok e na newsletter. O fio condutor é sempre o mesmo: simplificar o que está complicado e tornar acessível o que, à primeira vista, parece distante.